domingo, 16 de maio de 2021

 VOLÚPIA

 

Tal um dolo casual,

apartei de mim o receio.

Atingi, sem zelo, o seio

da minha ânsia natural.

 

Sobrepus egos intratáveis,

em meio à borrasca insana.

Meus lençóis sujos na cama

desnudam atos profanáveis.

 

À cada caminho a surpresa,

à cada passo o inesperado.

Finda a noite e o dia chegado,

eis as cartas sobre a mesa.

 

Ah! Volúpia dos desenganos!

Ah! Destempero sem noção!

Os olhos distantes do coração.

E os dizeres crus e profanos.

 

R. Dantas

 

SER

 

Um ódio feito agulha,

que frio a nada orgulha,

ferindo a benção de ter.

Tóxico de quem é pulha,

com o lixo se entulha,

unindo corjas no poder.

 

Um ódio feito fagulha,

que néscio rude atulha,

ungindo de sombras o crer.

Pródiga a fé debulha,

com a crença bem vasculha,

unindo o crer com o ser.

 

R. DANTAS